domingo, 15 de abril de 2012

Então, se ligue!

Amigo: - Cara, você se arrependeu de ter terminado com ela?

Ele: - Olha pra mim, você acha que eu me arrependi?
Eu saia sexta e só voltava na segunda de manhã pra trabalhar. Eu peguei a mãe, a filha, a prima, a tia e só não peguei a vó da vizinha, porque ela tinha hemorroida. Eu tinha cortesia pra entrar nas melhores baladas. Eu esnobei as garotas que todos os homens queriam pegar. Transei de segunda à sábado, e domingo via futebol. Detalhe, sem ninguém me chamando pra ir ver a porra do casal feliz no faustão ou sei la o que. Me mandavam mensagens o dia todo e se você perguntar se li alguma eu vou te dizer que não. Eu pudia ver filme pornô, levar a guria que eu quisesse pra minha cama e depois chamar o táxi pra ela ir embora pra eu não precisar gastar gasolina, porque convenhamos, ta cara pra caralho. Eu era o que elas queriam de qualquer jeito. E eu, queria todas de qualquer jeito, mas só um pouquinho de cada uma. Chamava todas de bê, pra não errar o nome de nenhuma. E porque diabos elas achavam que isso era fofo? Eu ia pra academia três da tarde e voltada as oito da noite. Tenho uma coleção de calcinha perdida na última gaveta da minha estante. Eu saia na rua com o som alto no carro e podia escolher a dedo, quero essa, depois essa e mais tarde, essa. Na minha geladeira nunca tinha uma caixa de cerveja, eram no mínimo quatro. Eu não devia nada pra ninguém. A única guria que me cobrava alguma coisa, era minha mãe. Me cobrava minha cueca lavada e só. Não tinha que ir ao cinema ver as comédias românticas e falar "own amor, eu faria o mesmo por você". Não tinha que deixar de ir pra balada pra fazer um lanchinho em família. Não precisava me preocupar com horário e olhava pra quem eu queria na rua. Minha casa tinha festa toda quarta. Camisinha aqui tinha do Bob Esponja até das Três Espiãs demais. E eu ainda dava de brinde um moranguinho pra cada garota. Meu trampo era sentado na frente do computador. Peguei tua irmã cara. A amiga dela. A Carolzinha filha do Prefeito da cidade. A Jú filha do gerente do banco. Loira, morena, ruiva, que gostava de pagode até a que gostava de gospel. Eu tinha todo mundo na minha mão. E você me pergunta se eu me arrependi? Me arrependi caralho. Porque toda essa porra de vida perfeita nesses 4 meses que fiquei sem ela não teve valor nenhum depois que eu a vi sorrindo de um jeito que nunca sorriu pra mim, pra outro cara aí. Pra um vagabundo desgraçado que vai fazer ela feliz, porque eu, eu não fiz ela feliz e ainda mandei a melhor coisa que eu tinha na minha vida me esquecer. E sabe o que é pior? Ela me obedeceu.


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